Datilografando | Por Rebeca Guerra

Datilografando | Por Rebeca Guerra

As várias versões de mim

Nos últimos dias tenho refletido muito a respeito do blog e tentando entender porquê esse cantinho permanece abandonado. Quando era mais nova a desculpa (e realidade!) era sempre a falta de tempo. Eu tinha muito a falar e ainda mais a fazer. O segundo acabava consumindo meus dias e deixavam o primeiro de lado. Eu não postava não por falta de assunto, mas por falta de tempo. Hoje, a realidade é outra.

Tenho percebido que com a idade aprendi a manejar melhor meu tempo. Estabeleci prioridades, cortei coisas inúteis. O resultado tem sido que sempre me sobra um pouco de tempo. Mas quando sento em frente ao computador… cadê o assunto para postar? Eu sempre penso "Não tenho feito nada de interessante. Minha vida é bastante comum… Não tem nada a ser postado". Isso vinha me incomodando bastante… até que eu entendi.

Versões. Somos todos feitos por dezenas de versões de nós mesmos.

A minha atual versão não é mais aquela universitária empolgada que estava morrendo de medo do trote da faculdade. Ela deu lugar à uma mulher que não tem vergonha de gritar no meio da rua para o ônibus esperar uma senhora que está vindo devagar pela calçada. A mocinha que colecionava pullips saiu de cena e alguém que passa horas lendo os componentes da ração do cachorro e estudando sobre as melhores opções para que ele fique nutrido entrou. A garota do guarda-roupa sumariamente rosa abriu espaço para alguém que só usa tons sóbrios e sem estampa e a pessoa que enchia os braços de pulseira e o rosto de base hoje raramente passa algo além do filtro solar.

Fui obrigada a confrontar uma triste verdade: crescer dói. É doloroso se desfazer das versões de mim que não me representam mais. As vezes parece que estou "andando para trás". Minha vida está ficando menos empolgante e mais banal. Em várias situações sou tentada a achar que sou um fracasso completo. Mas aí me lembro: versões.

A verdade é que isso faz parte da vida. Todos passamos por ciclos e devemos receber isso como um pequeno sinal de amadurecimento. Quando somos jovens temos muito a dizer, ainda que nossa experiência seja limitada. Conforme crescemos, aprendemos a ouvir mais e criamos consciência da insignificância das coisas outrora tão dolorosas e empolgantes. O mundo se torna um local conhecido e o grande desafio passa a ser lidar conosco mesmos. Não é mais o medo da primeira entrevista de emprego que te assombra, é não conseguir pagar as contas no final do mês. A sensação de que nossa vida está menos empolgante é proprocional ao número reduzido de "primeiras vezes". Primeiro beijo? Já passou. Primeiro emprego? Também e você viu que era capaz de conseguir. Com poucas primeiras vezes as coisas entram em um ritmo mais tranquilo.

Hoje, tenho aprendido a conviver e tirar proveito disso. Aproveitar a calmaria para fortalecer laços ao invés de me desesperar por não ter "emoção suficiente".

Afinal de contas, emoção é bom… mas estabilidade é melhor ainda.

O primeiro post

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