Datilografando | Por Rebeca Guerra

A Última Imperatriz e a nova face das garotas na Coréia

드라마 (dorama) é o termo utilizado para designar as séries coreanas. Trata-se, na verdade, da forma coreana de se pronunciar "drama" uma vez que a língua não admite sons de consoante + consoante (dr). A solução foi acrescentar uma vocal entre elas: formou-se assim o vocábulo "dorama".

Sinopse: O drama se passa em uma realidade alternativa onde a Coreia é uma monarquia constitucional e a Família Imperial ainda prevalece. É nesse mundo, que depois de se envolver acidentalmente com o Imperador e os assuntos reais, a animad,a porém não bem sucedida, atriz de musicais Oh Sunny acaba se tornando a Imperatriz do país. O problema é que o posto que ela vai ocupar é um tanto quando cobiçado e uma nuvem de mistério cobre o palácio, o que a leva a ter que lutar contra tudo e contra todos para desvendar a verdade.

Comentando: Contrariando todos os doramas que já assisti – e que, geralmente, prendem meus olhos quando estou passeando pela playlist quase infinita do Viki – A Última Imperatriz é realmente um ponto fora da curva.

O drama estreou no final de 2018 através da emissora SBS. Com iniciais 48 episódios (esticados para 52), a trama narra a história de Oh Sunny em uma Coréia alternativa onde ainda existe um governo monárquico em pleno século XXI. A jovem cresceu suspirando pelo imperador viúvo – não tão bonito, na minha humilde opinião – e quase morreu de alegria quando inesperadamente foi pedida em casamento por ele.

A partir daí temos acesso aos segredos do palácio e percebemos que ela foi colocada lá como uma espécie de bode expiatório. E é exatamente neste ponto que o drama prendeu minha atenção.

A Coréia, assim como muitos países asiáticos, ainda possui uma forte influência cultural de anulação da figura feminina e abuso disfarçado de amor. Em círculos mais conservadores, as mulheres geralmente são deixadas de lado: muitas vezes não podem emitir sua opinião, ganham muito menos que os homens e, em relacionamentos íntimos, é normal um homem "puxar" uma mulher pelo braço e arrastá-la para onde quiser, ainda que contra sua vontade. Isso, inclusive, ganha um ar romantizado e é apresentado nos doramas como "fofo".

Cena do dorama "The Heirs"

A Última Imperatriz, por apresentar um mundo de jóias e vestidos onde uma plebéia se torna uma princesa, à primeira vista, segue a mesma premissa de 90% dos doramas com esse enredo: a mocinha inocente que é apaixonada por um homem rico e famoso e de repente se sente agradecida por ele ter se aproximado dela. Mas aí, as coisas mudam. Conforme a trama se desenrola, vemos a personagem central Oh Sunny se transformar, de protagonista frágil e manipulável, em uma mulher forte e inteligente. O estereótipo de garota ingênua é deixado de lado e ela torna a personagem mais astuta e poderosa do palácio.

Mas Rebeca, porque você está escrevendo tudo isso? Simples: porque a cultura oriental, sobretudo coreana, nunca esteve tão em alta entre os jovens como está agora. E isso, embora muito bom, é também preocupante. Os jovens, como sabemos, possuem uma tendência natural em seguir padrões impostos sem questionar e podem começar a ver nesse tipo de figura abusiva um parceiro ideal. Para vocês terem ideia em como a questão do abuso nos relacionamentos é real, em 2016 o uma revista sul-coreana criou uma campanha explicando para a população o que era um relacionamento abusivo.

Neste contexto, embora tenha seus furos no enredo e 4 episódios "esticados" desnecessariamente apenas por causa da audiência, A Última Imperatriz chega como uma coca-cola no deserto e aponta um novo caminho para a indústria do entretenimento. Um caminho onde ninguém precisa ser puxado pelo braço.

Meu trabalho ~nada~ glamuroso
1 comentário
  • Karen

    Eu estou amandooo, mas preocupada com o final ahahha

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