Datilografando | Por Rebeca Guerra

Das coisas simples da vida

Roupas glamorosas, comprinhas intermináveis, uma penteadeira cheia de maquiagens e um cachorro peludo não fazem meu estilo. Foi difícil admitir isso no começo, pois parecia que eu não me encaixava no mundo em que vivia. Ou talvez, não houvesse um mundo para que eu pudesse viver nele. Meus textos soltos e minhas playlists no spotfy pareciam sempre tão aleatórias, fruto de uma mente que não havia se encontrado. Até que eu conheci você.

Sabe do que eu gosto? Eu gosto de café naquela caneca velha que ganhei de aniversário e que já está toda manchada, mas que carrega tanto afeto. Gosto de uma tarde preguiçosa com meu crochê, um novelo e um bom drama no notebook. E gosto de estar em você. Assim, no silêncio da tarde. Gosto de como posso falar a qualquer momento sobre o quão esperta eu me senti ao bolar uma solução de última hora para consertar a tomada do liquidificador. E gosto de que, apesar de você sempre rir ao me escutar, não me desmente. Você nunca diminui as coisas que são importantes pra mim.

Você é o tipo de pessoa que faz as tarefas mais entediantes ganharem um pouco de vida: descobrir o que vou cozinhar pro almoço, coar café, lavar os talheres… você tem noção do quanto é chato lavar os talheres? Mas com você se torna ao menos suportável.

Não vou romantizar nossa relação e dizer que gosto até dos teus defeitos, porque aí seria demais. Mas posso dizer que são perfeitamente toleráveis e, as vezes, chego a pensar que os meus são piores – mas isso passa rapidinho, então não vá se animando.

Aliás, tenho notado que, conforme envelhecemos, nossos relacionamentos estrondosos e passionais naturalmente se tornam mais calmos. Não existe mais aquele frio na barriga dos primeiros encontros mas, em compensação, somos tomados por uma sensação de segurança. Veja bem, meu amor, segurança e não monotonia. A gente pára de sonhar acordado com tanta frequência e começa a implicar por coisas para as quais antes fazíamos vista grossa. Menos emoção, mais vida real. É nesse momento em que todo casal tem que tomar uma decisão: ou pulamos do barco em busca de novas aventuras ou ficamos pra ver no que vai dar.

A minha escolha? Eu escolhi velejar.

As várias versões de mim
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